Mas, por onde começar?
Nem toda adequação exige obra. Algumas situações podem ser corrigidas pela própria equipe de manutenção, enquanto outras exigem projeto, orçamento e planejamento.
Neste artigo, você vai conhecer cinco situações de acessibilidade que aparecem com frequência nas empresas, entender quais podem ser solucionadas com ações simples e como um diagnóstico técnico pode ajudar a organizar as adequações por etapas, de acordo com as necessidades e a realidade de cada empresa.
A primeira etapa é compreender a natureza de cada não conformidade.
Algumas situações podem ser resolvidas com a retirada ou reposicionamento de elementos, substituição de equipamentos ou a reinstalação de acessórios. Já intervenções que alteram paredes, circulações, desníveis ou instalações podem exigir projeto e planejamento de obra.
Na prática, isso significa começar pelas ações de menor impacto operacional e financeiro, enquanto as intervenções estruturais são planejadas de acordo com o orçamento e o cronograma da empresa.
Esse planejamento por etapas pode:
reduzir interferências no funcionamento da empresa;
evitar paralisações desnecessárias;
distribuir melhor os investimentos ao longo do tempo;
contribuir para uma gestão contínua da acessibilidade e das práticas de ESG.
Durante as vistorias, algumas situações aparecem com frequência — e muitas delas podem ser solucionadas sem grandes intervenções.
Confira cinco exemplos.
Sabe aquele vaso de plantas, toten, lixeira ou poltrona ao lado das portas?
Eles podem comprometer a abertura das portas por pessoas que utilizam cadeiras de rodas e precisam de um espaço mínimo para aproximação, acesso à maçaneta e abertura da porta. Comprometendo assim a circulação autônoma.
A acessibilidade da porta não deve ser analisada apenas pelo seu vão livre.
Ação de manutenção: verificar se há obstáculos físicos ao lados das portas e reposicioná-los para não comprometer a passagem de forma autônoma.
Lixeiras com pedal são comuns em sanitários e outros ambientes corporativos. Entretanto, o sistema de acionamento deve ser analisado considerando a possibilidade de uso por diferentes pessoas.
Quando o modelo depende exclusivamente do uso do pé, pode criar uma dificuldade adicional para determinados usuários.
Ação de manutenção: avaliar a substituição por modelo que permita acionamento por outra forma e que seja compatível com as condições de uso do ambiente. Esta é uma alteração simples, mas que pode ampliar a autonomia de diferentes usuários.
Os acessórios instalados em todos os sanitários também precisam ser avaliados tecnicamente.
A NBR 9050/2020 determina que acessórios como porta-objetos, cabides, saboneteiras e toalheiros tenham sua área de utilização dentro da faixa de alcance acessível, (entre 0,80cm e 1,20m).
Ação de manutenção: Verificar o posicionamento dos equipamentos e se necessário, reposicioná-los.
Quando instalada fora da posição adequada, ela pode dificultar o alcance e o uso do sanitário por pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
Ação de manutenção: Reposicionamento do acessório, considerando o modelo da papeleira e as determinações previstas na NBR9050/2020.
Em salas de reunião, treinamento ou ambientes educacionais dentro da empresa, a altura da lousa também deve ser considerada.
Uma lousa instalada em altura inadequada pode dificultar seu uso por pessoas com diferentes estaturas e condições de alcance. Essa análise deve considerar também o espaço disponível para aproximação e a sua utilização.
Ação de manutenção: verificar se a instalação permite adequação da altura ou se será necessária uma solução projetual específica.
Esses são apenas alguns exemplos de situações que podem ser identificadas em uma vistoria de acessibilidade e solucionadas pela própria equipe de manutenção, muitas vezes sem a necessidade de obras ou projetos específicos.
Outras, porém, exigem intervenções mais complexas, com desenvolvimento de projetos e mão de obra especializada. Identificar essa diferença é importante para definir prioridades, organizar investimentos e planejar as adequações de forma mais eficiente.
Um laudo de acessibilidade não deve se limitar a apresentar uma relação de irregularidades.
Para a gestão predial, o diagnóstico é mais útil quando permite compreender o que precisa ser corrigido, onde está o problema e qual o nível de intervenção necessário.
A partir dessa análise, Facilities, manutenção, arquitetura e demais áreas responsáveis podem organizar as ações de acordo com suas possibilidades operacionais e orçamentárias.
Essa abordagem também evita que pequenas correções fiquem aguardando uma futura reforma para serem executadas.
A acessibilidade pode ser trabalhada de forma contínua, incorporando correções possíveis à rotina de manutenção e planejando as intervenções de maior complexidade de acordo com o orçamento e o cronograma da empresa.
O primeiro passo não é necessariamente reformar. É entender tecnicamente o que precisa ser feito e definir por onde começar.
Conheça o Laudo de Acessibilidade
Por Natasha Gonzalez
Arquiteta | Consultora em Acessibilidade Arquitetônica
Publicado em: setembro de 2026
"Acessibilidade é liberdade,
ao oferecer o acesso, o uso e bem-estar...
É promover a autonomia de ir e vir...
É validar direitos e dizer seja bem-vindo!"